Álcool e Energético “Combinam”? No Carnaval, a Mistura Aumenta Riscos

Por que a mistura é traiçoeira
O álcool é um depressor do sistema nervoso central: reduz reflexos, coordenação e julgamento. A cafeína faz o oposto em um ponto específico: diminui a percepção de sedação/cansaço. Só que isso não significa ficar menos bêbado, nem melhora controle inibitório e tomada de decisão. É daí que vem a ideia descrita em estudos como “embriaguez acordada” (wide-awake drunkenness): você parece — e às vezes sente — que está “bem”, mas continua com prejuízos cognitivos importantes.
Meta-análises e revisões associam o consumo de álcool misturado a energéticos a mais episódios de binge drinking, maior envolvimento em condutas de risco e maior probabilidade de consequências relacionadas ao álcool quando comparado ao consumo de álcool sozinho.
O que pode acontecer no corpo (especialmente na folia)
No Carnaval, o cenário agrava efeitos que já são conhecidos:
- Desidratação: o álcool tem efeito diurético; calor e suor intensificam a perda de líquidos. A cafeína pode somar desconfortos (tremor, palpitação) e dar falsa sensação de “energia”, atrasando o cuidado básico com água e descanso.
- Coração em sobrecarga: há alerta consistente para aumento de pressão, taquicardia e arritmias em pessoas suscetíveis — risco que tende a crescer com doses altas, pouco sono e esforço físico (horas em pé, dança intensa).
- Mais chance de exagerar: ao “cortar” a sonolência, a mistura pode prolongar o tempo bebendo e reduzir o freio interno de parar.
“Mas o energético não anula o álcool?”
Não. Cafeína não acelera o metabolismo do álcool e não “cura” embriaguez. O que ela pode fazer é diminuir a percepção de sedação, o que leva muita gente a subestimar o próprio nível de intoxicação.
Se a ideia é “aguentar o Carnaval”, o que funciona melhor (e é mais seguro)
Algumas recomendações repetidas por órgãos de saúde e serviços públicos para reduzir danos na folia:
- Hidrate de verdade: água e água de coco ao longo do dia; álcool não hidrata.
- Coma antes e durante: alimentação reduz mal-estar e ajuda a evitar consumo rápido em jejum (que piora intoxicação).
- Evite “subir” com energético: se já bebeu, o energético pode te fazer ultrapassar seu limite sem perceber.
- Sintomas como dor no peito, falta de ar, palpitações fortes, desmaio, confusão: pare e procure atendimento. Campanhas municipais de saúde têm reforçado esse alerta no período.
- Direção e decisões de risco: sensação de alerta não é sinal de sobriedade. Planeje retorno (carro por app, transporte público, carona segura).
Para quem o risco é maior
A mistura é especialmente preocupante para quem tem histórico de arritmia/hipertensão, crise de ansiedade/pânico, uso de alguns medicamentos estimulantes, além de adolescentes (que já são um grupo vulnerável ao uso de energéticos).
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