Retenção de macas do Samu em hospitais deixou de atender 2.124 chamados em Manaus em 2026

A retenção de macas e equipamentos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em hospitais de Manaus impediu 2.124 atendimentos entre 1º de janeiro e 21 de setembro de 2026. Os números foram apresentados à Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), que visitou a Central de Regulação do Samu e inspecionou o Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, na Zona Centro-Sul, na quinta-feira (24/9).
No hospital, a equipe encontrou quatro macas do Samu retidas — uma delas estava lá havia quase três horas. A prática ocorre quando a unidade de saúde usa a maca da ambulância como leito provisório, deixando o veículo parado e sem condições de atender novas chamadas. Segundo o defensor Arlindo Gonçalves, coordenador do Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa), uma lei estadual obriga a liberação imediata desses equipamentos.
O gerente técnico do Samu, Eduardo Fernandes, explicou que, com ambulâncias paradas, equipes de outras regiões precisam ser deslocadas, o que aumenta o tempo de resposta. Nos casos deste ano, a retenção durou em média cerca de uma hora e meia, somando 3.431 horas de inatividade de ao menos uma ambulância. Um levantamento anterior da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), de julho de 2025 a junho de 2026, apontou 1.623 retenções, com média de 1 hora e 42 minutos; o HPS 28 de Agosto concentrava 41,8% dos registros, seguido pelo João Lúcio (39,1%) e pelo Platão Araújo (12,6%).
Problema persiste
A Defensoria afirma que, em julho, as organizações sociais que administram os três hospitais informaram ter comprado equipamentos para evitar o problema. Para Arlindo Gonçalves, porém, os itens adquiridos serviram para repor material, e não para ampliar a capacidade diante da demanda. O caso é acompanhado em um Procedimento Coletivo, e o órgão vai avaliar a situação nas demais unidades e as medidas cabíveis.
Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) disse que o HPS 28 de Agosto funciona 24 horas, com porta aberta, e faz em média mais de 500 atendimentos por dia, o que pode atrasar a transferência de pacientes nos horários de pico. A pasta afirmou que mais de 40% dos pacientes regulados ao hospital poderiam ser atendidos em SPAs e UPAs, que monitora os fluxos e que vai analisar as informações da Defensoria.
Fonte: g1 Amazonas | Foto: Luiz Felipe Santos/DPE-AM
CLIQUE ABAIXO PARA ASSISTIR NOSSA TV ONLINE








