Alerta Financeiro: Juros para famílias fecham 2025 em 60,1% ao ano

Alerta Financeiro: Juros para famílias fecham 2025 em 60,1% ao ano

O cenário financeiro para os brasileiros encerrou o ano de 2025 com sinais de alerta ligados. De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central nesta quinta-feira (29 de janeiro de 2026), os juros médios cobrados das famílias subiram 7 pontos percentuais ao longo do ano passado, atingindo a marca de 60,1% ao ano.

A alta acompanha o ciclo de elevação da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006. Esse movimento do BC visa conter a inflação, mas tem como efeito colateral o encarecimento direto do consumo e do crédito para o cidadão comum.

O Perigo do Cartão de Crédito

O grande destaque negativo do relatório é o cartão de crédito rotativo. Embora tenha havido uma leve queda na taxa média em comparação a 2024, o valor ainda é astronômico: 438% ao ano.

  • Rotativo (30 dias): É acionado quando o cliente não paga o valor total da fatura.

  • Cartão Parcelado: Após os 30 dias de rotativo, os bancos parcelam a dívida, mas com juros que subiram para 189% ao ano em 2025.

  • Crédito Pessoal: A modalidade não consignada (sem desconto em folha) também disparou, chegando a 116,8% ao ano.


Radiografia do Endividamento no Brasil

Os números mostram que as famílias estão destinando uma parcela cada vez maior de sua renda para pagar dívidas.

IndicadorValor em Dez/2025Comparação com 2024
Inadimplência (Famílias)5,0%Alta de 1,5 pp
Endividamento Total49,8%Alta de 1,5 pp
Comprometimento de Renda29,3%Alta de 2,2 pp

O endividamento de 49,8% significa que metade de tudo o que as famílias ganham em um ano já está comprometido com dívidas. Se excluirmos o financiamento imobiliário, esse índice cai para 31,3%, ainda assim considerado elevado por especialistas.

Empresas também sentem o peso

No setor corporativo, o destaque foi o cheque especial para empresas, que atingiu surreais 355,7% ao ano, e o capital de giro, que saltou para 50,3% ao ano. Isso encarece a produção e, consequentemente, acaba sendo repassado para o preço final dos produtos nas prateleiras dos supermercados.

O que é o “Spread” Bancário?

O relatório aponta que o spread bancário subiu para 21,4 pontos percentuais. Esse valor representa a diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro e o que ele cobra de você. Essa margem serve para cobrir impostos, custos operacionais e o risco de calote, além de compor o lucro das instituições financeiras.

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