08/06/2018 às 11h00min - Atualizada em 08/06/2018 às 11h00min

Afinal, havia ou não corrupção durante o Regime Militar no Brasil?

Internautas discutem se existia ou não corrupção durante a ditadura, e se existiu, por que não era tão notória quanto se vê nos dias atuais.

Rafael Serrão
Presidentes da Ditadura Militar no Brasil
Uma das palavras que mais esteve presente na fala do brasileiro atualmente é “corrupção”, e não podia ser diferente diante de tantos escândalos exibidos pela mídia. Diante deste problema, muitas pessoas começaram a pedir pela volta da ditadura, alegando que “naquela época, não existia corrupção”. Mas será mesmo? Não teriam existido situações de desvio de recursos públicos ou enriquecimento ilícito durante o regime? Não foi bem assim. Na verdade, dois motivos principais explicam a sensação de que naquele tempo não havia irregularidades.

O principal deles era a censura, que impedia que denúncias contra integrantes do regime tornassem-se conhecidas da população. A imprensa da época não tinha a liberdade que tem hoje para noticiar e denunciar a corrupção. O segundo motivo é que não havia uma fiscalização efetiva sobre as ações do governo, afinal, a sociedade civil estava impedida de se organizar democraticamente, impossibilitando sua atuação neste sentido.

Uma das provas de que existiram, sim, casos de irregularidades, foi a criação da Comissão Geral de Investigações (CGI), que foi um organismo criado pela própria ditadura com o objetivo oficial de combater a corrupção. Ele foi responsável por cerca de 3 mil processos. Tudo, porém, era feito sem “publicidade”.

Casos conhecidos

Mesmo sendo quase impossível saber dos “podres”, houve muitas denúncias contra os militares – sabendo que, ironicamente, a justificativa para o golpe foi justamente o combate a corrupção. Um deles foi a Operação Capemi (Caixa de Pecúlio dos Militares), que era uma empresa dirigida por militares. Ela foi beneficiada na concorrência por explorar madeira no Pará. Foram desviados pelo menos 10 milhões de dólares em benefício de agentes do Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão de inteligência do regime. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) investigou o caso.

Foram inúmeros casos, mas um dos mais emblemáticos envolveu o grupo Coroa Brastel, conglomerado empresarial conhecido principalmente por sua rede de eletrodomésticos nos anos 70. Em dificuldades financeiras, a empresa solicitou um empréstimo à Caixa Econômica Federal, em uma operação em que integrantes do regime foram acusados de desviar recursos do banco. Além disso, são bem conhecidos os casos de superfaturamento na construção da Ferrovia do Aço e os desvios de dinheiro público na construção de grandes obras, como a rodovia Transamazônica, que nunca foi concluída.

Até mesmo atualmente há militares que são investigados por casos de propina e má utilização de recursos públicos. Em alguns casos, inclusive, já há decisões. O Superior Tribunal Militar condenou um tenente-coronel e sete civis por terem desviado recursos em obras da BR-163, no Pará, o que causou prejuízo de 7,6 milhões de reais. Casos assim mostram que não existem “heróis” dispostos a mudar a realidade brasileira, e que o grande responsável por reerguer o país ainda é o eleitor.
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