27/08/2018 às 06h40min - Atualizada em 27/08/2018 às 06h40min

VIVEMOS A ERA DA PERPLEXIDADE

É chegada a hora de romper essa corrente desconstrutiva baseada no cinismo e fake News, onde a mentira se confunde com a verdade

Antonio Brasil Vieira
O historiador israelense Yuval Noah Harari aconselha a nunca subestimar a estupidez humana. Esse professor da Universidade Hebraica de Jerusalém formado em Oxford se tornou, aos 42 anos, um dos pensadores mais popular do planeta e autor quase imbatível de frases incisivas. Harari confronta seus críticos expondo ideias para salvar o homem da completa desumanização. Segundo ele, é preciso se livrar da estupidez em que está mergulhado, reunir as aquisições científicas e filosóficas válidas e se preparar para mudanças que podem em breve causar a perda da própria noção de humanidade.

Em tempos de pós verdade, a linha divisória entre a mentira e a verdade se confundem, faz-se necessário a reconstrução da noção de verdade baseada na ética e nos princípios morais. Para isso, muito importante é o combate a ditadura do pensamento relativista moderno, para o qual a verdade é subjetiva, depende da percepção de cada um. Talvez esteja aí a raiz das famosas fake News.

Salta aos olhos a relativização da informação em nosso tempo. O massacre do povo venezuelano por um governo ditatorial fortemente orientado pelo viés ideológico marxista, que ainda hoje persiste em utilizar pessoas como cobaias de uma experiência teórica sabidamente fracassada, que criou terror, morte e pobreza em todos os países onde foi implantada. É efusivamente defendido por políticos e intelectuais de esquerda como um modelo democrático vitorioso a ser adotado, negando a realidade dos fatos.

Líderes políticos emblemáticos processados e presos por desvios de dinheiro público e corrupção, com farto conjunto probatório a firmar a condenação, propagam aos quatro cantos que são vítimas de perseguição política. Mesmo aqueles que se exibem como messiânicos ou gurus não perderam completamente a credibilidade por práticas reprováveis. É o caso de Lula, ex Presidente do Brasil, preso por corrupção e desvio de dinheiro, e Mark Zuckerberg presidente do Facebook que foi flagrado vendendo dados de seus assinantes para a Cambridge Analytica, uma empresa de manipulação eleitoral. 

Defende-se o aborto, as drogas, a pedofilia e até o crime abertamente, tudo amplamente avalizado pela sub intelligentsia que domina as narrativas na mídia. Seja nas novelas, cinema, na escola, nas universidades, nas demais expressões culturais e no noticiário. 

A propagação da ideologia de gênero avança rapidamente no meio social. Seus idealizadores e adeptos defendem teses baseadas em percepções sociais. Não há base científica que sustente tal teoria. Mesmo assim, seus conceitos são tratados com ares de ciência por seus defensores.   

Essa onda desconstrutiva da verdade e dos princípios éticos e morais estão afetando diariamente os valores estabelecidos, em favor do predomínio do cinismo e do individualismo. A solidariedade e a gratidão, valores essenciais da humanidade, deram lugar ao consumismo desenfreado e à busca — quase compulsória — de comportamentos libertários apresentados como o caminho para a liberdade.

Pasmem! A faculdade de medicina da Universidade de São Paulo (USP) ofereceu oficina para ensinar as mulheres a fazer siririca. Teve ainda apresentação da peça teatral O Evangelho Segundo Jesus, Rainha Do Céu. É proporcionado, também, oficina para ensinar a realizar o coito anal sem doer. Parece piada de mal gosto, mas não é. E tudo patrocinado com dinheiro público.

A mídia, em grande parte, reflete tal estado de coisas. Oscila entre os interesses de quem a dirige e a mentalidade quase hegemônica de esquerda, ativista no patrulhamento e capturada por um suposto politicamente correto, o que transparece no noticiário. As reflexões são abandonadas em favor de pautas direcionadas e que não representam o pensamento da maioria da população. O vanguardismo midiático não se coaduna com a liberdade de expressão, já que ele atende, obrigatoriamente, ao objetivo de convencer, consternar e mobilizar. Vejam, as pesquisas eleitorais, não acertam uma, como pontua o Professor Marco Antônio Villa. As estatísticas, longe de refletirem dados concretos, servem como instrumento de manipulação de informações e são, nas palavras do imortal Ariano Suassuna, a maior das mentiras.

Assim, descrente e decepcionado, o ser humano se torna quase incapaz de dar sentido ao mundo, sem distinguir realidade de ficção. Vivemos a era da perplexidade, ao mesmo tempo que se perdem a fé na política, nas instituições e nas pessoas. As notícias de corrupção e de condutas imorais e ilícitas praticadas por honoráveis autoridades civis e eclesiásticas tem contribuído muito para a construção do pensamento relativista moderno, onde a verdade dos fatos é o que menos interessa. Falar a verdade em nosso tempo virou palavrão. 

O pensamento materialista dominante está confundindo corações e mentes com seu relativismo cínico, destruindo as bases da família, a moral judaico cristã, tornando a pacificação social e a busca da justiça na atualidade um ideal impossível de ser alcançado.
É chegada a hora de romper essa corrente desconstrutiva baseada no cinismo e fake News, onde a mentira se confunde com a verdade. Precisamos restabelecer o império da verdade baseada em princípios éticos e valores morais, sob pena da civilização retroceder à barbárie e ao caos.
 
 
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