15/03/2019 às 15h56min - Atualizada em 15/03/2019 às 15h56min

O MASSACRE DE SUZANO E A SEGURANÇA NAS ESCOLAS

a segurança se tornou o principal critério na hora dos pais escolherem onde seus filhos irão estudar

Antonio Brasil Vieira
 
A segurança na escola, hoje mais presente que nunca no cotidiano e na literatura especializada, está diretamente relacionada com a violência. Os noticiários da TV e dos jornais, as rodas de conversas parecem se ocupar cada vez mais com os registros e comentários sobre os mais variados tipos de violência e insegurança, principalmente após o ataque a escola de Suzano, no interior de São Paulo.
 
A universalização do ensino trouxe significativas mudanças para a escola, uma vez que, proporcionou maior acesso dos alunos e consequentemente diversidade de pensamentos, valores, cultura, relações de força nem sempre harmônicas, que geram violência interna, contribuindo com o comprometimento da segurança. Por essas razões o tema deve ser dever de casa para gestores escolares.

Atualmente, a segurança se tornou o principal critério na hora dos pais escolherem onde seus filhos irão estudar. O último levantamento do Ibope mostra isso: 87% dos pais entrevistados responderam que priorizam a segurança na escolha de um colégio particular. A qualidade do ensino e a disciplina ficaram logo atrás, com 81% e 74%, respectivamente.

Mas como saber se uma instituição de ensino é, de fato, segura? Geralmente o primeiro pensamento que surge é se ela possui estruturas fortificadas, câmeras espalhadas pelas instalações e vigias nos locais de acesso. Entretanto, uma instituição de ensino segura é aquela que apresenta maior conhecimento dos seus fatores de risco e planeja sua segurança, não só com investimento em equipamentos e softwares, mas também na determinação de treinamentos e procedimentos, buscando atender às suas necessidades. Além do recrutamento de vigilantes capacitados e da instalação de equipamentos avançados, um planejamento adequado e a avaliação minuciosa de cada caso são elementos fundamentais para uma segurança eficaz. Mas, os sistemas são apenas parte dessa mentalidade e não isoladamente o objetivo ou a única ferramenta que deve permitir uma gestão efetiva da segurança.

A escola é o centro de convergência que justifica e fundamenta os recursos alocados ao sistema educativo, os quais devem ser administrados e geridos com elevados padrões de eficiência, no quadro de uma crescente autonomia e no clima de uma cultura de exigência e de responsabilidade. A qualidade do serviço de educação prestado ao cidadão passa também, pela segurança nas escolas, como espaços de aprendizagem individual e de formação nos valores da cidadania.
 
As questões inerentes à disciplina, atos infracionais, deverão ser tratadas conforme estabelecido no Regimento Interno da Escola ou da Rede Estadual de Ensino. Agora, a fiscalização diária da execução dos serviços de Vigilância Patrimonial e acesso à escola deve ser feita pelo Diretor/a da Unidade Escolar e/ou pessoa designada por responder por ela, conforme previsto no artigo 67 da Lei n.º 8.666/93.
 
O objetivo das normas e dos procedimentos de segurança é o cuidado com a unidade de ensino nas questões de segurança racionalizando o acesso de pessoas ao ambiente escolar, evitando a presença daquelas, cujos únicos objetivos, sejam transtorno e tumulto. Neste aspecto, faz-se necessário utilizar o controle de acesso dos alunos pela apresentação de carteira de identificação, como correu no ano letivo de 2018 na Escola GM-3.  
 
À autoridade policial, civil ou militar, é livre o acesso para efetuar atividades típicas de sua função em caso de ameaça ou de denúncia, não devendo a direção da escola, de nenhuma forma, criar obstáculos à atuação dos Agentes Policiais.
 
Sabemos que as normas e os procedimentos de segurança não eliminam a ocorrência de crimes nas escolas, mas serão eficazes na redução dos riscos de ações criminosas no ambiente escolar, principalmente se a direção da escola atuar como agente catalisador de iniciativas e multiplicador de atitudes que visem à disseminação de uma “Cultura de Segurança”, instruindo e certificando em especial os alunos e os responsáveis a adotarem atitudes que reforcem sua segurança e a de seus colegas.
 
 
Link
Relacionadas »
Comentários »