17/05/2019 às 06h29min - Atualizada em 17/05/2019 às 06h29min

A CRISE NA EDUCAÇÃO

Falta honestidade intelectual nesse debate

Antonio Brasil Vieira
O Ministro da Educação Abraham Weintraub, foi convidado a prestar esclarecimentos dos cortes na Câmara dos Deputados, em Brasília, e diante de acalorados embates disse que não houve cortes na educação e sim contingenciamento, isto é, bloqueio de verbas. Segundo o Ministro, isto ocorreu somente no orçamento das universidades federais, por conta de falta de comprovação de gastos na prestação de contas do ano de 2018.  

O MEC constatou que várias universidades federais gastavam dinheiro público em atividades alheias aos objetivos da instituição, outras não conseguiram comprovar sequer em que foi gasto o dinheiro. Disso resultou a abertura de processos e prisão de reitores, inclusive.

Nesta 4ª feira (15.mai.2019), em audiência no plenário da Câmara dos Deputados, disse que “o contingenciamento no orçamento das universidades se justifica pelo fato de o ensino superior já ter alcançado as metas que ainda não foram atingidas pelo ensino básico”.

No amazonas a crise é por aumento salarial. O governo vem enfrentando o problema de forma transparente, dialogando e negociando com os representantes dos trabalhadores na educação, espera-se em breve seja firmado um acordo para pôr fim à crise.

Em Autazes não é diferente. Aqui os professores da rede municipal se mobilizaram e a Administração Municipal concedeu prontamente aumento salaria no percentual de 18,62 %.  

Sabemos que é necessário valorizar a educação e o professor. Mas, será que falta recursos para educação?

O Brasil investe atualmente em educação cerca de 5% do PIB. Esse percentual é superior ao de 80% dos países do globo, inclusive está acima da média gasta por países ricos membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE. No entanto, nossos alunos têm baixíssimos níveis de aprendizagem e revelado resultados negativos nas avaliações de conhecimentos básicos.

A mesma OCDE já detectou que os estudantes brasileiros estão chegando às universidades com baixo nível de aprendizagem e recomendou ao governo brasileiro que invista mais na educação básica. Portanto, o MEC está seguindo o diagnóstico certo ao transferir recursos do ensino superior para o fundamental. Está controlando as contas públicas de maneira responsável.

Você sabia que nos últimos 12 anos o salário médio dos professores universitários cresceu 135% contra 30% dos demais trabalhadores? Contudo, o Brasil está em 63° lugar (entre 70 países), no ranking que mede a qualidade do ensino em ciências, matemática e leitura.

Pasmem. O Brasil produz menos pesquisa acadêmica de ponta que a Bolívia. Enquanto 19,8 % de nossa produção acadêmica são publicadas em periódicos de ponta, 34.8% da ciência produzida na Bolívia vão para as principais publicações mundiais.

Em tempos de pós verdade, falta honestidade intelectual nesse debate.
 
 
Link
Relacionadas »
Comentários »