06/08/2018 às 06h46min - Atualizada em 06/08/2018 às 06h46min

NOVOS VENTOS REPUBLICANOS

A esperança se renova com a possibilidade do país romper com a velha política

Antonio Brasil
Dizem que o Brasil vive a pior crise de sua história republicana. A 7 de outubro próximo ocorrerá o primeiro turno da eleição. Não havendo candidato vitorioso (e até o momento nada indica que um candidato vai alcançar a maioria absoluta dos votos válidos) três semanas depois será escolhido o novo presidente da República. A indefinição é tão grande que, inicialmente, não é possível desenhar qualquer cenário para o segundo turno, isto porque sequer são conhecidos, efetivamente, todos os candidatos. Muitos propalam aos quatro ventos que pretendem à Presidência da República, mas nem todos vão poder ter o registro de suas candidaturas deferidos, por conta da Lei da Ficha Limpa.

Analistas políticos preveêm que teremos uma eleição presidencial com muitas abstenções, ante o desencanto do eleitor com a classe política partidária e principalmente com a onda de corrupção revelada pela Operação Lava Jato e a sensação de impunidade que reina quando se trata de responsabilizar os ditos “criminosos do colarinho branco”.  

Há, sem dúvida, no ar um sentimento de cansaço, de enfado, de desalento com os políticos tradicionais. Mas nem tudo são notícias ruins. A recente eleição para escolha dos prefeitos dos municípios brasileiros deflagrou um verdadeiro tsunami que solapou a possibilidade de reeleição na maioria dos entes federados, renovando a esperança popular e as bases da velha República. Aqui no Estado do Amazonas, 90% dos municípios disseram não à reeleição de seus Prefeitos e apostaram no novo. Autazes participou maciçamente dessa onda renovatória.

Podemos perfeitamente sustentar que há sinais de esperança no horizonte. A democracia nunca mostrou tamanho vigor em nosso País. Um de nossos maiores empresários passou dois anos na cadeia, um ex-presidente, já condenado em segunda instância, está recluso há mais de cem dias, e os demais que se encontram na mesma condição representam quase todo o espectro partidário. Pela primeira vez em nossa história, podemos dizer que o regime democrático já não se resume à realização de eleições periódicas. Está chegando àquele estágio em que a ética na vida pública, transparência e a devida responsabilização penal dos infratores entram efetivamente na equação.  
Link
Leia Também »
Comentários »