20/02/2021 às 11h01min - Atualizada em 20/02/2021 às 11h01min

MANAUS I Delphina Aziz comemora 4.500 altas com música e corredor de aplausos

REDAÇÃO
PORTAL BNC MANAUS
Fotos: Lucas Silva/Secom
Um corredor de 50 metros de aplausos. Médicos, enfermeiros e profissionais de outras áreas em festa, abrindo espaço para a passagem das últimas pessoas que venceram a covid-19 19. E esses, agora ex-pacientes, puxados com músicas tocadas com instrumentos de corda. Tudo isso foi para comemorar hoje o número 4.500 de altas do Hospital Pronto-Socorro Delphina Aziz. A unidade é referência estadual em tratamento da covid-19. A festa foi precedida de uma mobilização feita pela fonia do hospital, que anunciava o “Código Ouro”. O código marcava a alegria do hospital que se despedia de mais oito pacientes pela mesma porta por onde entraram em busca de tratamento para a doença.

Com eles, o Delphina Aziz chegava à marca histórica de seu enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. “Hoje é um marco histórico, que poucos hospitais no Brasil estão tendo ou tiveram. Essas pessoas estão saindo para os seus lares, junto das suas famílias, saindo com orientações pós-Covid para que eles sigam as suas vidas. A equipe fica muito grata com isso”, disse o coordenador da enfermaria de campanha, Tiago Souza.

Festa

A saída do grupo foi emocionante, embalada por um trio de médicos que se apresenta cantando e tocando instrumentos musicais.
Os pacientes passaram aplaudidos pelas equipes de saúde até a porta do hospital, onde encontraram seus familiares. Corredor de aplausos montado para despedida de mais oito pacientes recuperados. Uma das recuperadas foi a enfermeira Jomara Neves, 34. Coordenadora do Programa Nacional de Imunização (PNI) do município de Manacapuru, ela foi acometida pela doença enquanto atuava na linha de frente do combate à Covid-19. Agora, curada, ela afirmou que estar do outro lado é diferente. “A minha função como enfermeira era estar à frente da vacinação, com riscos também, mais exposta. Uma fase onde ocorreu minha contaminação. Graças a Deus, pela graça de Deus a gente está aqui viva. É um susto, a gente é ser humano, tem medo. Mesmo sendo profissional, a gente acha que é de ferro, mas a gente não é”, comentou.

Código Ouro

O “Código Ouro” é um fluxo inspirado na ideia de um médico do corpo clínico do hospital. O projeto consiste em avisar, através do sistema de som da unidade, o momento exato de alguma alta médica. O sinal indica aos maqueiros que é a hora de se dirigir ao setor indicado para transportar o paciente em cadeira de rodas até a recepção. Além disso, o médico Kenit Minori, um dos músicos do corredor do Delphina Aziz, considera o Código Ouro o momento de exaltar o valor de cada vida recuperada na unidade. “A gente está conseguindo devolver essa pessoa para a família. Toda pessoa é muito importante para alguém. Acho que seria um pouco isso”, diz ele.

Além da medicina, o profissional também dedicou o lado artístico tocando o próprio violão para registrar o momento da saída dos pacientes.
Ele enfatiza que a medicina vai muito além de medicamentos e exames.
“Vai também do sentimento, de outras formas que dá para abordar o paciente. Acredito que a música é uma dessas formas que a gente consegue trazer um pouco mais de amor, de empatia para o paciente e tocar ele de uma forma que às vezes o remédio não consegue tocar”.

Emoção

Emocionada, Luciene Dias, de 47 anos, comemorou a saída do hospital em grande estilo. Surpresa com a cerimônia preparada pela unidade de saúde, ela agradeceu o empenho de todos os profissionais. “Estou muito feliz de poder voltar para minha casa com vida. Fui muito bem tratada. A gente pensa que não vai sair, dorme pensando que não vai acordar, mas eu venci”, disse.
 
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