06/04/2021 às 10h32min - Atualizada em 06/04/2021 às 10h32min

Brasil pode ter, em 2021, o primeiro ano da história de mais mortes do que de nascimentos

POR/Vicente Nunes/Correio
REDAÇÃO
A velocidade com que o novo coronavírus está matando no Brasil pode levar o país a registrar, em 2021, o primeiro ano da história em que o número de mortes superou o de nascimentos.

POR/Vicente Nunes!

O alerta é feito pelo médico Miguel Nicolelis, em artigo publicado no Correio. Ele diz que, desde o início do ano, a diferença entre nascimentos e mortes vem caindo no país. Em fevereiro, foram registrados 200.034 nascimentos e 121.559 óbitos (por covid-19 e outras causas), resultando em uma diferença de 78.475 habitantes acrescentados à população. Em março, essa diferença caiu para 47.047 — foram 220.302 nascimentos e 173.255 mortes.
 
“Isso quer dizer que, se o número de mortes por covid-19 e outras causas continuar a subir, o Brasil pode viver o primeiro momento de sua história em que as mortes superaram os nascimentos de novos cidadãos. Tal tendência ilustra a magnitude profundamente épica do impacto da covid-19 no país”, escreve o médico.
 
Medidas extremas!
 
Levantamento da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, aponta que, somente em abril, quase 100 mil brasileiros terão as vidas ceifadas pelo novo coronavírus. E o quadro tende a se agravar quanto mais tempo o governo demorar para pôr em prática um plano consistente de vacinação em massa. Segundo o Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME, na sigla em inglês), da Universidade de Washington, o Brasil registrará 95.794 mil mortes por covid-19 no mês de abril. Com isso, o país chegará a 421.353 mortes no dia 30 de abril. Pelo levantamento, no pior dos cenários, o Brasil pode chegar a 422.074 mortes; no melhor, a 418.950 óbitos. Até agora, são mais de 325 mil vidas perdidas.
 
Para Nicolelis, “dentro deste festival de horrores”, existe o consenso nos meios científicos de que o Brasil precisa tomar três medidas urgentes para tentar conter a crise sanitária. Primeiro, um lockdown nacional. Segundo, reduzir o trânsito de pessoas em trens, ônibus e aviões. Terceiro, vacinar entre 2 milhões e 3 milhões de pessoas por dia. Nada disso, porém, está no radar até agora.
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