10/11/2021 às 09h56min - Atualizada em 10/11/2021 às 10h31min

Com mais de 10 milhões de obesos no país, cirurgia bariátrica robótica se destaca como alternativa para uma recuperação mais rápida

Cirurgião curitibano explica os benefícios para os médicos e pacientes nos procedimentos realizados por meio do robô Da Vinci

SALA DA NOTÍCIA PAULA BATISTA
Divulgação
A cirurgia robótica está revolucionando o tratamento e recuperação de pacientes em Curitiba. Desde meados de 2020, quando recebeu o robô Da Vinci, a tecnologia mais testada e validada nos países de primeiro mundo, o Pilar Hospital oferece aos pacientes e médicos todos os benefícios da cirurgia minimamente invasiva realizada por meio dessa inovadora tecnologia.

            Uma das aplicações de mais destaque é para a realização de cirurgias bariátricas. O cirurgião Dr. Giorgio Baretta foi o primeiro a utilizar a nova tecnologia no Paraná. Segundo ele, a cirurgia robótica pode auxiliar tanto o cirurgião quanto o paciente quando se trata de bariátrica. “O cirurgião porque, pelo robô, temos uma visão tridimensional e não bidimensional como na laparoscópica, e isso gera um aumento gigantesco da visão do profissional dentro do abdômen, um aumento de até 20 vezes na imagem. Além disso, outro benefício é a ergonomia, pois operamos sentados, e os movimentos que fazemos no robô são mimetizados no paciente, já que o Da Vinci reproduz os sete movimentos do nosso punho, o que não temos na laparoscópica, e isso deixa a cirurgia mais precisa, menos traumática, gerando mais benefícios para o paciente, como diminuição da dor e uma alta geralmente mais precoce, além de um retorno do paciente às suas atividades mais rápido do que nas outras técnicas”, avalia.

Conforme o especialista, essa é uma evolução da tecnologia. “Saímos da cirurgia aberta para a laparoscópica e agora a robótica. Todas têm sua indicação e as suas particularidades, mas, claro, se o paciente tem a oportunidade de fazer pelo robô e o cirurgião é capacitado e o hospital oferece o Da Vinci para os procedimentos, será sempre uma ótima opção devido ao avanço dessa tecnologia, considerada o que há de mais moderno na área”, diz.

            O que o cirurgião observa, semanalmente, nas cirurgias que realiza nos pacientes no Pilar Hospital, é que grande parte tem perfil para o procedimento robótico, seja ela primária, ou a revisional, que é uma reoperação. “Tendo o paciente a indicação para a cirurgia bariátrica, o hospital tenha o robô e o cirurgião seja habilitado e capacitado na sua utilização, certamente essa será a melhor opção para o paciente, já que ele poderá, geralmente, voltar mais rapidamente para as suas atividades do dia a dia, seja trabalho, estudos ou, até mesmo, cumprir as etapas do seu tratamento”, comenta.

Dados do Brasil
Cerca de 10 milhões de brasileiros estão no nível de obesidade em que a redução de estômago é o tratamento mais adequado. Mas, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, no ano passado (2020), devido à pandemia e as limitações na realização de cirurgias não emergenciais, os procedimentos feitos pelo SUS, por exemplo, não chegaram a 1% desse número, caiu em 69,9% em um ano, saindo de 12.568 em 2019, para 3.772 em 2020. Em 2021, até o mês de maio, foram realizadas 484 cirurgias pelo Sistema Único de Saúde.

Na saúde suplementar, por meio de planos de saúde, foram realizadas 52.699 cirurgias em 2019 segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). "Os mais recentes estudos realizados no mundo comprovaram que a perda de peso proporcionada pela cirurgia bariátrica reduz em 48% o risco de mortalidade por covid-19, diminui em 113% o risco de internação, em 74% o risco de UTI e em 64% o risco de intubação", aponta o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Fábio Viegas. "Cirurgia bariátrica não é cirurgia estética. Precisamos pensar que os pacientes com obesidade grave, reduzem a cada dia suas chances de vida", diz Viegas.

No Brasil, a cirurgia bariátrica pode ser indicada quando os pacientes atendem a critérios de peso, idade e/ou doenças associadas. Estão aptos os pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40 kg/m², independentemente da presença de comorbidades; IMC entre 35 e 40 kg/m² na presença de comorbidades; IMC entre 30 e 35 kg/m² na presença de comorbidades que tenham obrigatoriamente a classificação "grave" por um médico especialista na respectiva área da doença.

A idade também é fator a ser analisado. Pacientes entre 18 e 65 anos não têm restrição. Além disso, a realização de cirurgia bariátrica para essa faixa etária está autorizada segundo a nova portaria da ANS 465/2021. Acima de 65 anos, o paciente deverá passar por uma avaliação individual. Em pacientes com menos de 16 anos, o Consenso Bariátrico recomenda que a operação deve ser consentida pela família ou responsável legal e estes devem acompanhar o paciente no período de recuperação.
 
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