12/03/2022 às 08h16min - Atualizada em 12/03/2022 às 08h16min

André Marsílio I Ocupações na rodovia BR-319: a cidade fantasma de Hevealândia

REDAÇÃO - BDC NOTICIAS.
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Caros leitores, vamos trazer no texto de hoje dois pontos importantes: a ocupação das margens da rodovia; e a proposta de ocupação e  criação de uma cidade no entrocamento da estrada de acesso ao município de Manicoré/AM. Primeiramente devemos pontuar que quando houve a construção da rodovia BR-319 entre os anos de 1968 e 1976, a ocupação que foi sendo realizada foi centrada ao longo do eixo da rodovia, não sendo instituído naquele período nenhum grande projeto de colonização, apenas o assentamento das familias e trabalhadores da firma que construiu a rodovia nos trechos entre o porto do Careiro e Careiro Castanho (com a construção da rodovia criou-se a cidade do Careiro Castanho no km 110) e o início de projetos com a formação de fazendas no trecho entre Humaitá e Porto Velho, enquanto que o trecho entre Humaitá e Castanho tiveram a formação de vilas nas áreas com travessias de balsas e algumas outras como Jacaretinga, Rio Novo, Piquiá e Realidade. 

No período de funcionamento pleno entre 1976 até 1984, varios sítios e fazendas foram construídos ao longo da rodovia, uma boa parte com produção de alimentos (leite, frutas, legumes e carnes) que abasteciam os mercados da cidade de Manaus. Com a destruição da rodovia e o fim das operações de transporte de carga e de passageiros, as pessoas que tinham seus sítios, fazendas e até postos de combustíveis (Km 260, 366 e 510) começaram a abandonar, pois ficou difícil a circulação de pessoas e de caminhões para escoar a produção, causando um enorme impacto para aqueles que acreditaram no projeto de ligação rodoviária Manaus-Porto Velho. 

A destruição da rodovia a partir de 1984 com falta de manutenção e a retirada do pavimento, resultou na destruição de sonhos de centenas de pessoas que moravam e tinham suas casas e atividades econômicas ao longo da 319, uma perda econômica até hoje não reparada. No ano de 1980, o governo estadual sob o comando de José Lindoso da início a um projeto de plantação e de extração de latéx entre a rodovia BR-319 e o municipio de Manicoré, em uma clara tentativa de valorização da produção de borracha e de empregar pessoas nesta atividade. O projeto gerido pelo governo estadual entre 1980 e 1982, resultou na abertura de uma rodovia de 84km entre o distrito de Democracia, localizado no rio Madeira, e a localidade batizada de Hevealândia no km 345, tal rodovia possibilitou entre 1982 até 1988 viagens de ônibus, carros e de pequenos caminhões entre a cidade de Manicoré com Manaus e Porto Velho. O projeto de abertura da rodovia consistia ainda no plantio das seringueiras e na criação de uma cidade no entrocamento da 319 com a rodovia que seguia rumo ao rio Madeira, tal cidade com denominação de Hevealândia (cidade da seringueira) teve uma ocupação com casas e estabelecimentos comerciais nos primeiros anos, porém a partir de 1986 as pessoas começaram a abandonar suas residências e hoje resta apenas o desenho das ruas que podem ser observadas pelas imagens de drones ou de satélite.

Por André Marsílio Carvalho e Pinho - Presidente da associação de amigos e defensores da BR-319
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