Operação Erga Omnes prende empresário ligado a viagens do prefeito David Almeida ao Caribe

Manaus (AM) – Uma nova prisão efetuada no âmbito da Operação Erga Omnes trouxe novamente ao centro do debate político-administrativo as relações entre investigados e o núcleo do Executivo municipal de Manaus. A Polícia Civil do Amazonas confirmou, nesta sexta-feira (20), a decretação da prisão preventiva de Alcir Queiroga Teixeira Júnior, apontado como proprietário da empresa Revoar Turismo, responsável pela suposta emissão de passagens aéreas utilizadas pelo prefeito David Almeida (Avante) e pela primeira-dama Izabelle Fontenelle em viagem ao Caribe, em 2025. O investigado é citado como integrante do grupo alvo da operação, que apura crimes financeiros e organização criminosa.
De acordo com as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas, a Revoar Turismo operaria apenas como empresa de fachada, sem endereço físico, site institucional ou presença em redes sociais vinculadas à atividade comercial, o que levantou suspeitas de uso para lavagem de dinheiro. Como parte das diligências, foram expedidos ofícios a companhias aéreas para verificar a existência de bilhetes emitidos pela agência. Em resposta oficial, a LATAM Airlines informou não ter localizado registros de passagens vinculadas à empresa, enquanto a Gol Linhas Aéreas também declarou inexistência de emissões em nome da Revoar Turismo.


Além das suspeitas relacionadas às passagens, Alcir Queiroga é investigado por crimes como lavagem ou ocultação de bens, organização criminosa e tráfico de drogas. A Justiça determinou ainda medidas cautelares como a quebra de sigilo bancário, sequestro e bloqueio de patrimônio. A operação amplia o alcance das apurações, que passaram a envolver diretamente contratos, fornecedores e possíveis vínculos com agentes públicos.
O caso ganhou repercussão institucional desde 2025, quando o Ministério Público de Contas do Amazonas recomendou ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas a realização de uma inspeção extraordinária em contratos firmados pela Prefeitura de Manaus com quatro empresas. A medida foi motivada por denúncia apresentada pelo vereador Coronel Rosses, que levantou suspeitas de que fornecedores do município teriam custeado a viagem internacional do prefeito ao Caribe, em fevereiro daquele ano.

À época, o prefeito David Almeida sustentou publicamente que arcou com as despesas da viagem com recursos próprios e que sua ausência foi comunicada formalmente à Câmara Municipal. Segundo sua defesa, comprovantes de pagamento no valor de R$ 14 mil e R$ 16 mil, referentes às passagens emitidas pela empresa ligada a Alcir, foram encaminhados aos órgãos de controle. O episódio, no entanto, desencadeou novos desdobramentos jurídicos.
Em outubro do mesmo ano, o Tribunal de Justiça do Amazonas determinou a abertura de investigação e o desmembramento do procedimento inicial em sete novos processos, totalizando oito frentes de apuração. A relatoria acatou o pedido de fragmentação dos autos, e os integrantes do Ministério Público passaram a ter acesso formal às informações. Com a prisão mais recente, a Operação Erga Omnes reforça o foco sobre possíveis irregularidades envolvendo empresas, contratos públicos e a utilização de estruturas privadas em benefício de agentes políticos.
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