Tuberculose: mortes recuam 14,8% no AM, mas idosos ainda preocupam

O Amazonas registrou uma queda significativa nas mortes provocadas pela tuberculose no primeiro semestre de 2026. Segundo dados do painel epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), o estado contabilizou 144 óbitos pela doença entre janeiro e julho deste ano, uma redução de 14,8% em relação aos 169 casos registrados no mesmo período de 2025. Entre as vítimas fatais, a população idosa responde por parcela expressiva, concentrando cerca de um terço dos registros.
Casos confirmados também recuam
Além da diminuição nas mortes, o número de diagnósticos positivos da doença também apresentou desaceleração. Foram notificados 2.559 casos de tuberculose no Amazonas entre janeiro e julho de 2026, montante 5,17% menor que os 2.698 diagnósticos do mesmo intervalo no ano anterior.
O mês de março se destacou como o de maior pico de infecções em 2026, com 425 confirmações, número superior aos 342 casos do mesmo mês em 2025. Já janeiro apresentou a queda mais acentuada, com 367 diagnósticos contra 437 registrados um ano antes. Nos demais meses, os números de 2026 seguiram levemente abaixo dos verificados em 2025.
A curva de mortalidade oscilou de forma mais intensa no início do ano, com aumentos pontuais em janeiro, fevereiro e março na comparação anual. A partir de maio, no entanto, o quadro se inverteu: as mortes caíram de 43 para 26 naquele mês, depois de 26 para 10 em junho, fechando julho com 16 óbitos, ante 21 no mesmo período de 2025.
Perfil dos pacientes e áreas de maior incidência
O levantamento da FVS-RCP mostra que os adultos jovens, entre 20 e 39 anos, formam o grupo mais atingido pela doença, somando 1.128 casos em 2026 — o equivalente a 43,8% do total. Dentro dessa faixa etária, os homens são maioria, com 762 diagnósticos, contra 366 entre as mulheres.
Em relação à incidência proporcional por habitante, os municípios do interior amazonense lideram o ranking estadual. Alvarães apresenta a maior taxa, com 12,5 casos por 100 mil habitantes, seguido por Maraã (11,9), Manaus e Parintins (ambos com 11,4) e Boa Vista do Ramos (9,5).
O monitoramento também acompanha grupos populacionais específicos. Do total de diagnósticos deste ano, 100 casos foram notificados entre indígenas, representando 3,9% do total; 94 entre pessoas em situação de rua (3,6%); e 86 na população privada de liberdade (3,3%).
O que é a tuberculose
A tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, que atinge principalmente os pulmões, mas pode acometer outros órgãos do corpo. A transmissão ocorre pelo ar, por meio de gotículas expelidas ao tossir, espirrar ou falar. Os principais sintomas incluem tosse persistente por três semanas ou mais — que pode vir acompanhada de sangue —, febre no fim da tarde, sudorese noturna, perda de apetite e emagrecimento involuntário.
Os dados da FVS-RCP indicam uma tendência de melhora no combate à doença no Amazonas em 2026, embora o estado ainda figure entre as unidades federativas com maiores taxas de incidência do país, o que reforça a necessidade de manutenção das estratégias de vigilância e tratamento, sobretudo entre os grupos mais vulneráveis, como idosos, indígenas, população em situação de rua e pessoas privadas de liberdade.
Fonte: g1 AM
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