Amazonas reduz desmatamento em 31%, mas continua entre os três estados que mais devastam a Amazônia

Amazonas reduz desmatamento em 31%, mas continua entre os três estados que mais devastam a Amazônia

O Amazonas registrou 495 km² de área de floresta desmatada nos últimos 12 meses, apresentando uma redução de 31% em comparação com o período anterior. O resultado representa o segundo ano consecutivo de queda no desmatamento registrado no estado, indicando uma diminuição na área de vegetação perdida durante o período analisado.

Apesar da redução, o Amazonas continua entre os estados que apresentam os maiores índices de desmatamento dentro da Amazônia Legal. No ranking nacional, o estado aparece na terceira colocação, ficando atrás apenas do Pará, que registrou 818 km² de floresta desmatada, e do Mato Grosso, com 565 km².

Somados, Amazonas, Pará e Mato Grosso foram responsáveis por aproximadamente 70% de toda a área de floresta destruída no bioma durante os 12 meses analisados. Os números mostram que uma parcela significativa da pressão sobre a floresta amazônica permanece concentrada nesses três estados, que possuem extensas áreas de vegetação e enfrentam diferentes desafios relacionados à ocupação e ao uso do território.

A redução observada no Amazonas representa um avanço em relação ao período anterior, mas os dados também reforçam a necessidade de manter ações permanentes de fiscalização, monitoramento e combate às atividades ilegais que provocam a retirada da cobertura vegetal. A preservação das áreas de floresta é considerada fundamental para a manutenção dos ecossistemas e para o equilíbrio ambiental da região.

## Terras indígenas continuam entre as áreas mais preservadas

As terras indígenas apresentaram uma das menores áreas de desmatamento entre as diferentes categorias territoriais avaliadas na Amazônia Legal. Ao todo, foram registrados 46,96 km² de vegetação destruída nesses territórios, quantidade correspondente a aproximadamente 1,7% de todo o desmatamento identificado no período.

Mesmo representando uma parcela relativamente pequena da devastação total, quatro terras indígenas localizadas total ou parcialmente no Amazonas apareceram entre as 11 áreas indígenas que mais sofreram pressão do desmatamento no último período analisado.

A Terra Indígena Andirá-Marau, que se estende pelos estados do Amazonas e Pará, registrou 2,83 km² de área desmatada. O território ficou entre os que apresentaram maior pressão sobre a vegetação nativa dentro do levantamento considerado.

Na Terra Indígena Sepoti, localizada no Amazonas, foram identificados 1,49 km² de desmatamento. Já a Terra Indígena Vale do Javari apresentou 1,36 km² de área afetada, enquanto a Terra Indígena Yanomami, que abrange Amazonas e Roraima, registrou 1,08 km².

Apesar desses registros, os dados mostram que a maior parte das terras indígenas da Amazônia permanece sem ocorrência de desmatamento no período analisado. Quase 60% desses territórios não apresentaram áreas desmatadas nos últimos 12 meses, reforçando a importância dessas áreas para a conservação da floresta.

A manutenção da cobertura vegetal nesses territórios também possui impacto ambiental que ultrapassa os limites das próprias terras indígenas. A preservação das florestas contribui para a conservação da biodiversidade, proteção dos recursos naturais e manutenção de processos ambientais que influenciam o clima e o regime de chuvas.

## Amazonas concentrou mais de um quarto do desmatamento em julho

O cenário observado durante o mês de julho de 2026 chama atenção para a participação do Amazonas na devastação registrada na Amazônia Legal. Somente naquele mês, o estado respondeu por 26% de toda a área desmatada identificada na região.

No ranking de julho, o Amazonas ficou atrás apenas do Pará, que concentrou 30% do desmatamento registrado na Amazônia Legal durante o mês. A diferença demonstra que os dois estados tiveram participação expressiva na perda de cobertura florestal observada no período.

Na comparação entre julho de 2026 e o mesmo mês do ano anterior, a área de floresta destruída apresentou aumento de 26%. O resultado mostra que, embora o acumulado de 12 meses tenha registrado queda no Amazonas, ainda existem períodos específicos em que a pressão sobre a vegetação pode aumentar significativamente.

Essa diferença entre os resultados acumulados e os dados mensais demonstra a importância de acompanhar o desmatamento de forma contínua. Oscilações registradas de um mês para outro podem alterar o cenário e exigem atenção das autoridades responsáveis pelo monitoramento e pela fiscalização das áreas florestais.

## Degradação da floresta apresenta forte redução

Além do desmatamento, outro indicador acompanhado no levantamento é a degradação florestal. Esse processo pode ocorrer por diferentes fatores, incluindo queimadas e exploração seletiva de madeira, que provocam danos à floresta mesmo quando a vegetação não é completamente retirada.

Na Amazônia Legal, a área afetada pela degradação apresentou uma queda expressiva de 93% no ciclo 2025/2026. A área degradada, que havia alcançado 35.229 km² no período anterior, caiu para 2.577 km² no ciclo mais recente analisado.

O resultado representa o menor índice registrado desde 2023 e demonstra uma redução significativa na extensão das áreas florestais afetadas por processos de degradação. A diferença entre os dois períodos é considerada expressiva e representa uma mudança importante no comportamento desse indicador ambiental.

A degradação florestal merece atenção porque uma área pode sofrer impactos ambientais importantes mesmo sem apresentar um desmatamento completo. Queimadas e retirada seletiva de árvores, por exemplo, podem alterar a estrutura da floresta, afetar habitats de animais e comprometer a capacidade de recuperação da vegetação.

## Fiscalização continua sendo necessária

Apesar dos avanços registrados na redução do desmatamento acumulado no Amazonas e da queda expressiva na degradação florestal da Amazônia Legal, os dados ainda apontam para a necessidade de ações contínuas de proteção ambiental. O Amazonas, Pará e Mato Grosso concentram grandes extensões de floresta e, consequentemente, estão entre as áreas que demandam acompanhamento permanente.

O monitoramento das áreas de floresta permite identificar mudanças na cobertura vegetal e direcionar as ações de fiscalização para regiões que apresentam maior pressão. A atuação constante das autoridades é importante para evitar que áreas preservadas sejam ocupadas de maneira irregular ou submetidas a atividades que possam provocar novos danos ambientais.

A redução do desmatamento também é relevante para a manutenção dos chamados serviços ambientais prestados pela floresta. Entre eles estão a conservação da biodiversidade, a proteção dos recursos hídricos, o armazenamento de carbono e a influência sobre o regime de chuvas.

A preservação da Amazônia possui efeitos que não ficam restritos à própria região. A floresta exerce influência sobre os ciclos climáticos e sobre a disponibilidade de água em diferentes partes do país. Por isso, a redução da devastação e o controle da degradação são considerados importantes não apenas para os estados amazônicos, mas para todo o Brasil.

Os dados registrados nos últimos 12 meses mostram um cenário com sinais positivos no Amazonas, especialmente pela segunda redução consecutiva no desmatamento anual. Entretanto, o aumento observado especificamente em julho indica que a pressão sobre a floresta continua presente e pode variar ao longo do tempo.

O desafio das autoridades e das instituições responsáveis pelo acompanhamento ambiental é manter a tendência de redução e, ao mesmo tempo, impedir novos avanços da devastação. Para isso, são necessárias ações permanentes de fiscalização, monitoramento territorial e combate ao desmatamento ilegal.

Com quase metade de mil quilômetros quadrados de floresta desmatada no período analisado, o Amazonas ainda ocupa uma posição de destaque entre os estados com maior perda de cobertura vegetal. Ao mesmo tempo, a queda de 31% em relação ao período anterior representa um resultado positivo que, se mantido nos próximos ciclos, poderá contribuir para uma redução gradual da pressão sobre a floresta.

A situação das terras indígenas também reforça a importância da proteção dos territórios destinados à conservação ambiental e à garantia dos direitos das populações tradicionais. O fato de quase 60% dessas áreas não terem registrado desmatamento no período analisado evidencia o papel que esses territórios desempenham na manutenção da floresta amazônica.

O cenário apresentado pelos dados combina, portanto, sinais de redução do desmatamento em determinados períodos com a permanência de áreas sob forte pressão. A continuidade do monitoramento será essencial para verificar se a tendência de queda no Amazonas poderá ser mantida e para identificar rapidamente eventuais mudanças no ritmo de destruição da vegetação.

A preservação da floresta amazônica depende de ações constantes e de estratégias capazes de conciliar proteção ambiental, fiscalização e uso responsável dos recursos naturais. A redução dos índices representa um avanço, mas a permanência de altos níveis de desmatamento em determinadas áreas demonstra que ainda existem desafios importantes a serem enfrentados.

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