Motim em presídio da PM termina após policiais presos manterem agentes reféns em Manaus

As forças de segurança do Amazonas conseguiram retomar, durante a madrugada desta quarta-feira (2), o controle do Núcleo Prisional da Polícia Militar, localizado na BR-174, na zona rural de Manaus. A intervenção ocorreu por volta de 1h30 e colocou fim a um motim iniciado na tarde de terça-feira (1º), quando quatro policiais militares responsáveis pela segurança da unidade foram rendidos e mantidos como reféns por internos.
Os internos envolvidos na ocorrência também são policiais militares que estão presos na unidade. A situação mobilizou um grande efetivo das forças de segurança e exigiu uma operação cuidadosamente planejada para garantir a libertação dos agentes feitos reféns e restabelecer a segurança no local.
Durante a madrugada, equipes especializadas da Polícia Militar entraram na unidade e conseguiram controlar a situação. Após a intervenção, o funcionamento do núcleo prisional foi normalizado e, segundo as informações divulgadas pelas autoridades, não houve registro de pessoas feridas durante a ação.
Entre os quatro policiais que estavam sob o poder dos internos havia um major e três soldados. Eles foram libertados durante a operação e receberam atendimento após o encerramento da crise. A negociação e o acompanhamento da ocorrência contaram com a participação de instituições responsáveis pela defesa e fiscalização dos direitos dos custodiados.
Negociação foi acompanhada durante a crise
Durante o período em que os policiais permaneceram como reféns, representantes da Defensoria Pública e da Ordem dos Advogados do Brasil acompanharam as negociações. A presença das instituições teve como objetivo contribuir para a condução da crise e buscar uma solução que evitasse o agravamento da situação dentro do núcleo prisional.
As circunstâncias que levaram ao início do motim ainda serão analisadas pelas autoridades. Informações preliminares apontam que os internos estavam insatisfeitos com mudanças realizadas na rotina da unidade, incluindo alterações no calendário de visitas e a retirada de determinados benefícios.
O dia destinado às visitas, que anteriormente ocorria aos domingos, teria sido transferido para as sextas-feiras. A mudança teria provocado descontentamento entre os internos e é apontada como um dos fatores que contribuíram para o início da revolta.
Além da alteração nas visitas, também são investigadas outras mudanças administrativas e de rotina implementadas na unidade. Os detalhes sobre quais benefícios teriam sido retirados ainda deverão ser esclarecidos durante a apuração oficial.
Familiares relatam insatisfação com mudanças na unidade
Durante a crise, familiares de internos também relataram descontentamento com a nova administração da unidade prisional. Uma familiar de um dos policiais custodiados afirmou que o ambiente teria passado por mudanças depois da alteração no comando do núcleo.
Segundo o relato, os internos estariam anteriormente em uma situação considerada mais estável, mas teriam passado a enfrentar uma rotina diferente após a chegada de uma nova equipe de comando. A familiar também fez acusações relacionadas à forma como alguns policiais responsáveis pela unidade estariam tratando os custodiados.
Essas declarações, no entanto, fazem parte dos relatos apresentados durante o momento de tensão e deverão ser verificadas pelas autoridades responsáveis pela investigação. A apuração deverá analisar tanto as reivindicações apresentadas pelos internos quanto a conduta dos envolvidos durante o motim.
Aproximadamente 120 policiais participaram da operação
Para controlar a situação, aproximadamente 120 policiais de unidades especializadas foram mobilizados. O efetivo empregado na operação reuniu equipes com diferentes especialidades, preparadas para atuar em situações de crise e ocorrências envolvendo unidades prisionais.
Participaram da ação policiais do Batalhão de Operações Especiais, Canil, Cavalaria, Grupo Marte, Ronda Ostensiva Cândido Mariano e do 1º Batalhão de Choque. A mobilização de diferentes unidades teve como objetivo garantir segurança durante a entrada no estabelecimento e a retirada dos policiais que estavam sendo mantidos como reféns.
Após a libertação dos quatro agentes, as forças de segurança permaneceram na unidade para assegurar que o controle não fosse novamente perdido. O reforço também foi necessário diante dos danos provocados durante o motim e da necessidade de verificar as condições das celas e dos equipamentos de segurança.
Durante a revolta, câmeras de monitoramento foram quebradas e algumas celas sofreram danos. Os prejuízos estruturais serão avaliados pelas autoridades e deverão fazer parte dos procedimentos instaurados para esclarecer tudo o que ocorreu durante a rebelião.
Investigação deverá apurar responsabilidades
Com o fim do motim, procedimentos administrativos e criminais deverão ser instaurados para esclarecer as circunstâncias que levaram à revolta, identificar os participantes e verificar se houve prática de crimes durante a ocorrência.
As autoridades também deverão analisar a atuação dos policiais militares que estavam custodiados no local, além dos danos provocados à estrutura da unidade e aos equipamentos de segurança. As informações reunidas durante a investigação serão encaminhadas às instituições responsáveis pela análise dos possíveis crimes e pela adoção das medidas judiciais cabíveis.
O Ministério Público e a Justiça Militar deverão receber os resultados das apurações. Dependendo das conclusões, os envolvidos poderão responder individualmente pelos atos praticados durante o motim, sem prejuízo de outras medidas administrativas ou judiciais.
Representantes da Defensoria Pública e do Ministério Público acompanharam a ocorrência desde os primeiros momentos da crise. A participação dessas instituições também deverá contribuir para a análise das condições dos internos e para a verificação das circunstâncias que antecederam o movimento.
Unidade abriga exclusivamente policiais militares presos
O Núcleo Prisional da Polícia Militar possui uma característica diferente das unidades prisionais convencionais: o estabelecimento é destinado exclusivamente a policiais militares que cumprem prisão. Por esse motivo, a administração e a segurança do local seguem procedimentos específicos relacionados à custódia de integrantes da própria corporação.
A atual unidade está instalada na estrutura que anteriormente abrigava a Penitenciária Feminina de Manaus, localizada nas proximidades do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, na BR-174. O espaço passou a receber os policiais militares presos após a desativação do antigo núcleo prisional da corporação.
A mudança de endereço ocorreu aproximadamente quatro meses antes do motim. Ao todo, 71 policiais militares que estavam presos foram transferidos para a nova estrutura, em uma operação que envolveu um grande número de agentes de segurança.
Transferência ocorreu após fuga de policiais presos
A transferência dos internos para a atual unidade foi determinada após uma grave ocorrência registrada no antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar, localizado na Zona Norte de Manaus. Na ocasião, 23 policiais militares que estavam presos conseguiram fugir da unidade.
O episódio provocou uma série de investigações para descobrir como a fuga foi planejada e de que maneira os detentos conseguiram deixar o estabelecimento. As apurações também passaram a verificar a possível participação de policiais que poderiam ter facilitado a saída dos presos.
Depois do episódio, as autoridades decidiram pela desativação do antigo núcleo e pela transferência dos custodiados para uma nova estrutura. A operação de transferência contou com a participação de mais de 100 agentes e foi coordenada por diferentes órgãos ligados à segurança e ao sistema de Justiça do Amazonas.
O objetivo da mudança era aumentar o controle sobre os policiais presos e estabelecer uma estrutura considerada mais adequada para a custódia desse público. Entretanto, poucos meses após a transferência, a nova unidade voltou a enfrentar uma situação de grave tensão com o motim registrado nesta semana.
Antigo responsável pela unidade também foi investigado
As investigações relacionadas à fuga ocorrida anteriormente também atingiram integrantes da própria Polícia Militar. Entre os investigados estava o então responsável pelo antigo núcleo prisional, o major Galeno Edmilson de Souza Jales.
O oficial chegou a ser preso durante o andamento das apurações e posteriormente foi excluído da Polícia Militar. O caso levantou questionamentos sobre a segurança e os procedimentos adotados para controlar policiais que estavam cumprindo pena ou prisão cautelar dentro da estrutura da própria corporação.
A nova ocorrência registrada na unidade da BR-174 deverá agora passar por uma investigação independente dos fatos anteriores, mas o histórico recente do sistema de custódia dos policiais militares deverá ser considerado no contexto das medidas adotadas pelas autoridades.
Motim termina, mas situação segue sob acompanhamento
Com a libertação dos quatro policiais e a retomada do controle da unidade, a situação foi considerada normalizada pelas forças de segurança. Mesmo assim, o local permanece sob atenção especial devido aos danos provocados durante o motim e à necessidade de identificar todos os envolvidos.
A prioridade após o encerramento da crise é garantir que não ocorram novos episódios de violência e preservar a integridade dos policiais que trabalham na unidade e dos internos que permanecem custodiados no local.
As investigações também deverão esclarecer com precisão o que motivou o início do movimento, quais foram as reivindicações apresentadas pelos internos, quem participou diretamente da rendição dos policiais e quais danos foram provocados durante as horas de tensão.
O episódio reacende a necessidade de acompanhamento permanente das condições de segurança e da rotina do Núcleo Prisional da Polícia Militar, especialmente por se tratar de uma unidade que abriga integrantes da própria corporação. A expectativa é que, com a conclusão das investigações, sejam definidas eventuais responsabilidades e adotadas medidas para evitar que uma nova crise semelhante volte a ocorrer.
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