Defensoria flagra escola sem aulas há quase 30 dias e salas sem ar-condicionado em Manaus

A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) encontrou problemas de infraestrutura, climatização e rede elétrica em duas escolas estaduais de Manaus durante vistoria feita na sexta-feira (25/9). Em uma delas, os alunos estudam em salas com ar-condicionado quebrado; na outra, estão sem aulas há quase 30 dias.
A fiscalização foi conduzida pelo Grupo de Trabalho Intersetorial de Defesa da Educação e Cidadania (Gidec) nas escolas Maria de Lourdes Rodrigues Arruda, na Zona Centro-Oeste, e Hermenegildo de Campos, na Zona Sul — ambas entre as que mais receberam reclamações de pais e professores.
Na Maria de Lourdes, que tem 480 estudantes e passou ao modelo de tempo integral, professores apontaram falta de espaço para descanso, quadra sem cobertura e banheiros e vestiários precisando de reforma. Segundo a Defensoria, a pintura da quadra foi paga pelos próprios docentes. A unidade tem mais de 15 alunos neurodivergentes e apenas duas professoras auxiliares. A mãe de uma aluna do 7º ano, Jaiane Mourão, de 35 anos, relatou que a filha costuma pedir para não ir à escola por causa do calor; em 22 de setembro, Manaus registrou 38,6°C, a maior temperatura do ano.
Na Hermenegildo de Campos, falhas na rede elétrica desde o início de setembro comprometeram os aparelhos de ar-condicionado, e a escola entrou em reforma. A previsão repassada aos pais é que os alunos sejam transferidos temporariamente para a Escola Estadual Professor Antenor Sarmento, também na Zona Sul.
A Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) informou que as duas unidades estão no cronograma prioritário do seu Departamento de Infraestrutura e confirmou a transferência provisória dos estudantes da Hermenegildo de Campos, sem informar datas de início nem de conclusão das obras. Para a Maria de Lourdes, a pasta disse que uma equipe técnica faria avaliação em 28 de setembro.
Atuação do grupo
Foi a segunda vistoria do Gidec. Em 21 de setembro, o grupo esteve na Escola Estadual Vasco Vasques, na Zona Leste, onde encontrou refrigeração inadequada para a merenda e livros didáticos sem uso. O grupo foi criado em agosto de 2026, depois que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) apontou o ensino médio do Amazonas com o pior resultado do país, 3,8 pontos, e acompanha temas como aplicação de recursos, piso dos professores, merenda e obras paralisadas.
Fonte: g1 Amazonas | Foto: Luiz Felipe Santos/DPE-AM
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