Sítio arqueológico no AM revela cemitério indígena antigo

Sítio arqueológico no AM revela cemitério indígena antigo

Um estudo arqueológico conduzido no Seringal do Jauari, em Itacoatiara, no interior do Amazonas, confirmou a existência de um cemitério indígena na região. As escavações, realizadas ao longo de cerca de uma semana, resultaram na localização de quatro pontos com urnas funerárias e na coleta de mais de 200 fragmentos de materiais arqueológicos.

A área, marcada pela presença de seringueiras, já era reconhecida como sítio arqueológico e guarda vestígios da ocupação indígena anterior à chegada dos colonizadores europeus. O trabalho recente começou depois que o proprietário de um terreno localizado dentro do sítio deu início à construção de um muro, o que levou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a notificá-lo e exigir um levantamento arqueológico antes de qualquer nova intervenção.

Descoberta confirma hipótese de cemitério

Para atender à exigência, o proprietário contratou uma equipe especializada, responsável pelo projeto de salvamento arqueológico. A proposta é preservar a maior parte da área, restringindo intervenções às regiões com menor potencial de achados, sempre sob orientação técnica.

Durante os trabalhos, os pesquisadores localizaram quatro pontos distintos com urnas funerárias, o que reforçou a interpretação de que o espaço funcionava como um cemitério indígena. Segundo os arqueólogos responsáveis, as urnas não foram retiradas do solo — as escavações foram interrompidas justamente para preservar o contexto funerário original, considerado essencial para a compreensão do sítio.

A descoberta atual dialoga com um achado feito há 14 anos. Em 2012, uma urna funerária já havia sido encontrada a cerca de 200 metros do ponto estudado agora, contendo restos mortais de oito indivíduos, entre eles duas crianças. Para os especialistas, os novos vestígios ajudam a consolidar a função funerária da área e sugerem que zonas de moradia dos antigos habitantes possam estar localizadas nas proximidades.

Material será analisado em laboratório

Além das urnas, que permanecerão preservadas no próprio local, a equipe recolheu mais de 200 fragmentos arqueológicos, incluindo peças de cerâmica, pedaços com pinturas e decorações, e um objeto que pode ter sido utilizado como ferramenta. Todo esse material será levado a Manaus, onde passará por processos de higienização, catalogação e análise em laboratório da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

A pesquisa também teve caráter educativo. Estudantes da Escola Municipal Isaac Peres visitaram o Seringal do Jauari durante os trabalhos para conhecer de perto o processo de escavação e compreender a importância da preservação do patrimônio arqueológico local, em uma iniciativa que busca aproximar as novas gerações da história indígena da região.

Itacoatiara concentra dezenas de sítios arqueológicos

O município de Itacoatiara possui atualmente 46 registros no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA), distribuídos entre áreas urbanas e rurais. O número representa um crescimento em relação a 2012, quando o Iphan contabilizava 27 sítios cadastrados e conduzia estudos de inventário na região. O Sítio Jauari já constava entre as áreas pesquisadas naquele período.

A retomada dos estudos, 14 anos depois, ampliou o conhecimento sobre a ocupação indígena antiga no local e reforçou a relevância do sítio para a compreensão da história pré-colonial da Amazônia.

Conclusão

A realização do levantamento arqueológico está diretamente ligada aos processos de licenciamento ambiental e à proteção do patrimônio cultural. Quando uma obra pode impactar vestígios arqueológicos, o Iphan atua para garantir que sejam identificados e preservados antes de qualquer intervenção.

No caso do Jauari, a pesquisa permitiu delimitar as áreas de maior concentração de achados e orientar decisões futuras sobre o uso do terreno. Os materiais coletados ainda serão estudados detalhadamente, com a expectativa de que os resultados ajudem a esclarecer como viviam os povos que ocuparam a região antes da colonização, ampliando o entendimento sobre a história antiga de Itacoatiara e da Amazônia como um todo.

Fonte: g1 Amazonas

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