20 anos da Lei Maria da Penha: história de superação em Manaus

A Lei Maria da Penha completa 20 anos nesta sexta-feira (7), marco que reacende discussões sobre o combate à violência doméstica no Brasil. Em Manaus, a trajetória da técnica de enfermagem Eriberta da Silva Gomes ilustra como a legislação pode representar um caminho de recomeço para mulheres que vivem sob agressão dentro de casa.
Eriberta relata que as agressões começaram em 2018, geralmente após discussões durante o dia que se transformavam em violência física durante a madrugada, enquanto ela dormia. Segundo seu depoimento, o padrão de comportamento do agressor dificultava que outras pessoas suspeitassem da situação, já que ele levava, aparentemente, uma vida comum.
Denúncia e medida protetiva
Depois de conviver por cerca de dois anos com as agressões, Eriberta decidiu buscar ajuda em 2020, registrando denúncia na Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher. A medida protetiva foi concedida, mas o ex-companheiro resistiu em deixar o imóvel onde a família residia, situação que só foi resolvida com a intervenção de um oficial de Justiça.
Dados da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, do Ministério das Mulheres, apontam que quase 70% das denúncias registradas em 2025 envolveram violência ocorrida dentro do próprio lar, reforçando o padrão relatado pela entrevistada.
Impacto nos filhos e rede de apoio
Além do medo das agressões, Eriberta destaca a preocupação com os dois filhos, que presenciavam os episódios de violência e demonstravam sofrimento emocional. Após a separação, mãe e filhos passaram a contar com acompanhamento psicológico oferecido pela rede de proteção à mulher, incluindo o Centro Estadual de Referência e Apoio à Mulher (Cream), localizado na Avenida Presidente Kennedy, no bairro Educandos, que oferece suporte de assistentes sociais, psicólogos e pedagogos.
Reconstrução e nova perspectiva de vida
Anos depois, Eriberta afirma enxergar o que viveu como um verdadeiro livramento, reconhecendo que chegou a temer pela própria vida durante o período de violência. Ela também chama atenção para o preconceito enfrentado por vítimas, muitas vezes julgadas injustamente pela situação em que se encontram.
Hoje formada em enfermagem, atuando também como massoterapeuta e cursando graduação, Eriberta planeja criar um grupo de apoio para incentivar outras mulheres a romperem o ciclo de violência, defendendo que persistência e busca por ajuda são fundamentais para a superação.
Onde buscar ajuda
- Delegacias Especializadas em Crimes Contra a Mulher
- Polícia Militar: 190
- Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 (24 horas)
- Avenida Mário Ypiranga, 3395, Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul
- Rua Desembargador Filismo Soares, Colônia Oliveira Machado, Zona Sul
- Avenida Nossa Senhora da Conceição, Cidade de Deus, Zona Leste
Fonte: G1 Amazonas
CLIQUE ABAIXO PARA ASSISTIR NOSSA TV ONLINE







